segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Não vivo dentro do outro

Estou prestes a mudar de vida.
Já me inclui como perseverança,
sim, perseverança, Não vou brigar mais
comigo mesma, nem me atarracar a razão.
A gente precisa chegar a conclusão de que
não carregamos a certeza, de que certeza falamos?
Não faças aquilo, não toque naqueloutro. tudo
é perecível. De nada adianta se fixar em miragem.
E o que é a vida no mundo? senão miragem!
Ontem eu estava triste por um motivo qualquer,
como se o mundo estivesse de mal comigo, e Então,
me vem o passado com sua cruel historia.
Lembrei-me dos espinhos, das dores, das falsas amizades.
E aprendi que isso tudo não existe, o que existe, é o
que os humanos fazem, na disputa pelo melhor lugar.
Eu sei, que, de nós mesmos não aceitamos tudo, sempre queremos
mudar algo, e sempre olhamos para o outro como inimigos.
Ora, pela beleza, ora pela postura, ora pela inteligência, ora,
pela elegância, e mais vezes ainda, por não  conseguirmos
olhar para nós mesmos.
Se tivéssemos olhos fora do corpo, se pudéssemos nos ver por inteiro,
sem precisar de espelho, provavelmente ficaríamos com inveja de nós mesmos.
pela  incrível capacidade de ver o que esta fora da gente, com olhos saltitantes de luxuria.
O que vai por dentro dos outros, ninguém conhece, E a imaginação nos leva a vê-los
melhor . E o desejo de não ficar para trás, faz  com que desejemos
que o outro, no minimo, fique num degrau a menos.
Viver, viver a gente quer, mas de preferência, que todos sigam a nossa própria receitinha,
porque se nos traírem de alguma forma, mesmo que não seja grave, a gente vira bicho.
Não somos sol, somos estrelinhas, mas igualmente queremos brilhar, porque não descartar
esta mania de certeza.
Vou procurar me acertar comigo mesma, sem aquela de ficar espreitando o outro como presa
de minha própria ilusão.
Entre rosas e espinhos escrevi minha história.
Entre sorrisos e lágrimas alcancei muitas vitórias.
Pedras e flôres, falsos amores,
verdade e mentira, calmaria e dores.
Entre silêncio e canções,
vendavais e furacões.
E no temporal que se formou
entre raios e trovões.
E em ramas e ramadas, enroscando e enroscada
Fiz do amor todo o meu mundo
e da saudade, minha estrada.
Fui cativa e cativada,
amei muito e fui amada.
Até tudo transformar-se em fumaça
e virar quase que nada.
Até quando verei esse céu?
Até quando provarei desse mel?
Quando é que virará fel?
Todo o meu futuro já virou passado.
Todo meu segredo já foi desvendado.
O arco-íris perdeu suas cores.
Cansei dos falsos amores.
A chuva parou
O jardim secou
Chegou minha hora
Até logo, vou embora.
Autora: Herta