sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ponto final

Eu tive pequenos sonhos, nunca sonhei grande, para que não
pudesse me frustrar.
Ou melhor: Eu acho que de fato, eu nunca sonhei, porque
sempre procurei viver.
A vida me deu tudo: pai, mãe, irmãos.
Não apreciei todos os gostos, mas apreciei
bem o gosto daquilo que tinha.
Hora aqui, hora ali, a vida ia a frente, e eu
a seguia, uma honra saber que eu existia,
Sou como qualquer outro animal solto
na natureza, procurando sobreviver entre os demais,
a unica diferença entre eu e eles, é que eu penso.
Eu posso escolher coisas não só pelo sentido ou
instinto, eu tenho capacidade de pensar antes de 
fazer.
Capacidade de além de cuspir o que não me agrada
ao paladar, eu ainda posso pensar em outra solução,
que é lavar minha boca.
No mais, é só sobrevivência.
Criança ao ser criança, adulta ao tornar-me adulta,
mas é tudo igual.. brincadeiras e desgastes,
Luta pelo melhor lugar, briga de poder, plantar
para colher, sofrer por querer.
E..ao clarear o dia, a noite vira passado, e
assim, sucessivamente.
É como subir uma montanha cheia de obstáculos,
suar a cada passo na vertical, vencendo todos os perigos, 
embora nunca se saiba se realmente vai vencer.
As vezes, descansa, outras, da o máximo de si,
olha para baixo e vê que pouco se fez.
Então, quando já cansado e sobrecarregado pela
aflições no caminho, percebe que já esta muito
próximo do pico. Dai dá muito mais de si, a esperança
nos enche de força e nos impulsiona a seguir.
Porém, ao fim da jornada, ao olhar o que foi feito,
na lembrança da luta, dos pés esfolados e mãos sangrando,
percebemos que foi tudo em vão.
Não era o que esperávamos, Não havia nada do outro lado,
que você já não tivesse visto.
Subiu, subiu e deu de cara com o mesmo, lutou, lutou,
sentiu prazer na subida, e agora terá que descer, deixando tudo para trás.
Herta Fischer