sábado, 24 de outubro de 2015

Fui o que fui, agora sou, mas não sou

Fui ribeirinha,
majestosa e abundante,
visitantes
sobre minha margem
descansavam.
Pássaros sobre a ramada
do meu frescor faziam
seus ninhos, e pela
manhã me despertavam
com suas doces melodias.
Sombra de um lindo
pé de carvalho sobre mim
descansava suas ramas e
galhos, enquanto o
dia passava sereno e enamorado
de mim.
Fui o orgulho do pescador,
pois peixes dançavam em meu
corpo, como bailarinos
num palco.
Aves de rapinas se encantavam
em fazer rasantes em minha alma,
satisfeitos com tanta diversidade.
Eu era preciosa, até que em mim
chegou a desventura, me calaram
com máquinas destrutivas. Não se
cansaram de me ferir, até me
cercarem com armas de cimento, sangrando
o sagrado de minhas beiras, até
conseguirem manchar minhas margens
derrubando a meiguice das grandes
árvores que me sombreavam.
Morri sem saber, de um ribeirinho
simples e barrento, a uma imensa
represa de tristeza.
Hertinha