segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Tudo não passou de um sonho

Me podaram tanto, me negaram tanto,
que apenas consegui murchar.
Quanta vida, quanto podia ser,
quanto pouco pude ser.
Não posso ficar pensando nisso,
senão enlouqueço.
Finjo ser feliz
e realizada, mas de fato, pouco sou.
Sou um rastro de alegria que foi
deixado num canto, num lamento
esquecido, que de tanta dor, sorriu
Sou um passado sombrio, entre o mar
e seu navio, quando o marinheiro sumiu.
Sou uma figura esfumaçada, cujo pintor
esqueceu de pintar, só rabiscos sem cor.
Sou a madrugada largada no alpendre
da noite, sem olhos, nem sorrisos,
só dissabor.
Sou o dia entristecido, quando o
sol o abandona, o deixando
sem amor.
Sou a raiz apodrecida da semente
que sonhou crescer muito,
 mas tão cedo
não vingou.
Herta Fischer